Uma lição de vida em forma de brinquedo.

Ontem, durante meu horário de trabalho (não contem isso a ninguém), assisti pela segunda vez Toy Story 3 e descobri outras coisas lindas que passaram batidas quando vi no cinema.

Lembro de quando ainda era uma criança de 9 anos e meu pai me chamou para ver uma matéria no Fantástico que falava sobre o primeiro filme em animação gráfica, previsto para o final de 1995: Toy Story. Assim que acabou a matéria, prometemos que íamos assistir esse filme a qualquer custo. Por um motivo que não me recordo qual, não assistimos no cinema – acho que por preguiça do meu pai – mas assim que saiu em fita, minha mãe comprou e me deu no Dia das Crianças de 1996. Assistia o filme todos os dias, sem exceção, enquanto almoçava. Levava meu prato para o quarto e, junto com meu irmão, me encantava com a simpatia de cada brinquedo; até porque eu tinha alguns dos bonecos que estavam no filme, como o Sr. Cabeça de Batata. De segunda à sexta, de meio-dia, só passava Toy Story na minha TV. Até hoje sei contar o primeiro filme inteiro, com todas as falas e cenas.

Em 1999 saiu o Toy Story 2 e mais uma vez não assisti no cinema – e também não me lembro o motivo. Mas o procedimento foi o mesmo: assim que saiu a fita, minha mãe correu para as lojas e esperou até janeiro (meu aniversário) para me entregar. Mesmo já imaginando que era a fita do Toy Story 2, abri a embalagem do presente como se fosse o maior brinquedo do mundo! Meus olhos brilhavam e fiquei numa expectativa imensa para saber qual história seria abordada na segunda edição da animação. Fiquei de queixo caído, mais uma vez, com a magia tão encantadora quanto a do primeiro filme. Eles conseguiram colocar o xerife Woody em perigo para desta vez o Buzz Lightyear dar sua prova de amizade. Ou seja, mais um filme maravilhoso.

Anos se passaram e a expectativa de um Toy Story 3 crescia absurdamente, pois nós, adultos de hoje que fomos crianças na época do lançamento do filme, precisávamos de um desfecho memorável. Até que, dentre todos os boatos espalhados sobre o Toy Story 3, confirmou-se o desfecho da história para 2010. Quando soube da confirmação, fiquei parecendo uma criança. Liguei para o meu irmão aos gritos, avisando sobre o filme, e assisti a cada teaser, cada nota, cada novidade. Ao sentar na cadeira do cinema, tremia de ansiedade ao imaginar que estaria revendo meus amiguinhos de infância. Quando começou, meus olhos não piscaram uma vez sequer e, sim, chorei no final do filme. Acho que foi o desfecho mais cruel e doce que já assisti. Foi uma mistura absurda de sentimentos, que só quem viveu essa trilogia durante 15 anos sabe do que estou falando. A trilogia Toy Story começou e terminou com uma pureza incrível.

O mais interessante disso tudo foi que a trama acompanhou toda uma geração. Quando eu tinha 10 anos e assisti ao primeiro filme, meus pais tiveram um árduo trabalho de me fazer acreditar que meus brinquedos não falavam enquanto eu dormia. Cheguei a me acordar de madrugada só pra ver se algum deles estava fora do lugar. Quando assisti ao segundo – mesmo não acreditando nas coisas de antes, mas com a inocência de um adolescente de 14 anos – aprendi perfeitamente a lição de amizade e companheirismo mostradas no filme. Conquistar amigos para a vida inteira e estar ao lado deles em todos os momentos, foram lições que tomei para minha vida inteira. No terceiro filme, a maturidade foi além de uma diversão para crianças. Tenho certeza que a intenção da Pixar ao criar o Toy Story 3 foi se despedir de todos os fãs fiéis que o acompanharam durante todos esses anos. O xerife Woody e o astronauta Buzz Lightyear se tornaram membros da minha família, tanto que tenho os dois bonecos no meu quarto e várias fotos deles espalhadas pelas minhas redes sociais. Só quem viveu sabe como essa animação fez uma diferença enorme no nosso crescimento.

Ontem comentei no Facebook que tinha assistido o filme pela segunda vez. Imediatamente um amigo de infância, Fernando, que morava na minha rua, deixou um comentário falando a respeito e começamos a discutir sobre o filme. Chegamos ao mesmo assunto de como o filme foi importante para nossa filosofia de vida. E uma coisa muito interessante que ele citou foi diferença da nossa infância para a infância atual. Antigamente, um boneco em mãos já era o bastante para criarmos o Reino da Fantasia; cheio de florestas e bosques, correntezas e castelos, exatamente do jeito que queríamos. Hoje em dia não é mais assim (pelo menos na maior parte das crianças). Tudo está ligado ao computador e internet. A imaginação já está formada. É aquilo ali e pronto. Fico feliz por ter vivido esse tempo bom e espero que nós, independente de qual nível a tecnologia esteja, não criemos nossos filhos em frente ao computador. Mostremos mais desenhos e livros, brinquedos e bonecos, o valor da família e de uma boa amizade.

Obrigado, Toy Story.

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11 comentários sobre “Uma lição de vida em forma de brinquedo.

  1. Eu amo desenho animado. AMO.
    Na minha infância, tinha quatro fitas que ganhei do meu tio que eu era verdadeiramente apaixonada: O Rei Leão, A Bela Adormecida, Mogli e Timão & Pumba [hakuna matata, kkk]. Meu Deus, eu era feliz demais.
    Um dia, quando eu tiver filhos, quero passar pra eles a educação que recebi. Nada de 100% informatizados, nada de livros digitais, nãão ! Esse é o tipo de coisa que vou fazer questão de passar para os meus descendentes \o/

    De muita sensibilidade o seu post, arrasou muito =)
    Beijos !

  2. Também não entendo como as crianças de hoje em dia preferem se
    manter dentro de cômodos fechados, em frente a um computador.
    Sem exercitar nem a mente a procura de histórias próprias.
    Antigamente nós dormiamos de cansaço e acordavamos para viver
    tudo de novo. E bem cedinho!

    Esse filme também fez parte do melhor momento da minha vida.
    Adorei o post! :)

  3. Belo Post Miguel!!
    Toy Story fez parte da minha vida da minha infancia e termina no mesmo periodo , na universidade…É uma Historia que so quem viveu nesses ultimos 20 anos se encaixa muito bem na sua vida!!!

  4. Quem será que não chorou no final do Toy Story 3?

    Logo após terminar de ver o filme enxuguei as lágrimas e fiquei com um nozinho na garganta, lembrando da minha infância tão boa, dos meus brinquedos, brincadeiras, amigos, família toda unida e completa… e como isso tudo é tão importante, tão gostoso e muitas dessas coisas e momentos não voltam mais…

    Eu sempre digo que a nossa infância foi “a última infância feliz de verdade” .. Na de hoje em dia, como você afirmou no texto, tudo vem “pronto”. É por isso que hoje tantas crianças abusam facilmente de um brinquedo “novo”.. Parece que ficam com preguiça de imaginar, criar imensas possibilidades e historinhas com aquele brinquedo…

    Enfim… vou fazer de tudo pra que meus filhos tenham uma infância ao menos próxima da que eu tive!

    Abs!

  5. Toy Story é muito feliz, o primeiro é o filme preferido da minha mãe, eu tinha a fita, ela deu, eu sempre fico chateada quando penso nisso, mesmo que não tenha mais o aparelho, isso é detalhe. O segundo eu escolhi assistir com meu pai no cinema no lugar de fazer uma viagem à Brasília pra ver parte da família. Da última vez, assistí e chorei no final, “desfecho cruel e doce” muito bem colocado.

  6. Nos indentificamos tanto porque eles realmente fizeram parte da nossa infância pautada em brinquedos e boas histórias.

    Concerteza, o filme qe mais marcou. *-*

  7. A série Toy Story é realmente maravilhosa. Gostei muito do primeiro e do segundo e, apesar de gostar bastante do terceiro, achei ele um pouco ‘pesado’ para crianças. A Disney está cada vez crescendo mais os desenhos dela. Megamente, por exemplo. Assisti ele no cinema e, sinceramente, crianças não entendem metade das piadas do filme! Fomos uma geração muito boa em termos de diversão para crianças. Tivemos CDZ, DBZ, todos aqueles filmes da Disney (REI LEÃO *.*) e vários brinquedos. Esse comentário da imaginação está totalmente certo. Hoje em dia é tudo pronto. É a mesma coisa de se ver o filme e depois ler o livro. Bons tempos em que eu brincava com meu navio pirata da playmobil (que está guardado para o meu sobrinho!!!). Ótimo texto Miguel, como sempre.

  8. hhehee pois é… até hoje não sei por qual razão não assisti. Sempre falaram bem desses. Mas, se tudo de certo, esse fim de semana assisto. rsrs Tenho que estudar… mas arrumo um tempo. rsrs =D

  9. tu crê que eu não vi praticamente nenhum toy story?! Acho um absurdo isso. Rsrs Eu sou louca por desenho animado. Tudo bem, uma mulher deste tamanho está assumindo que adora desenho animado, mas eu gosto mesmo. rsrs Mas, eu baixei Toy Story 3, mas, ainda não assisti porque fiquei imaginando que ficaria meio perdida pois só tinha visto metade do primeiro filme e nada do segundo. Acho que esse fds agora vou assistir. =) Adorei o poste. :)

  10. Pois é!! A imaginação não é mais a mesma, a inocência não é mais a mesma…

    Eu sempre fui um defensor de que cada época tem sua vantagem. É muito relativo (e comum) ouvir coisas do tipo “no meu tempo”… Mas uma coisa é certa. Sempre alguem vai dizer isso! Imagina dentro de mais 15 anos o que os que tem 15 anos hj vão falar em… algum lugar.

    Espero está vivo e jogando iô-iô!

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